Vegetarianismo na Terceira Idade



Vegetarianismo em Casos Específicos

Respostas Específicas para Perguntas Específicas

• Até gostaria de me tornar vegetariano, mas já ultrapassei os 70 anos de idade. Não me fará mal?

Existe uma estreita relação entre o processo de envelhecimento, a incidência de doenças metabólicas e degenerativas e a alimentação. O tipo de dieta praticada durante as diferentes fases da vida tem um papel importante na longevidade e na manutenção de um bom estado de saúde. Segundo a American Dietetic Association (Associação Dietética Americana), a escolha de uma alimentação vegana durante a terceira idade contribui para a prevenção da maioria das doenças características desta fase da vida humana. Existem inúmeras mudanças no organismo, durante a terceira idade, que conduzem a estados de doença muito frequentemente relacionados com a nutrição e a alimentação, nomeadamente a diminuição de massa óssea e muscular e, simultaneamente, um aumento da massa gorda, contribuindo para o aparecimento da diabetes tipo II e consequentes problemas de saúde. A alimentação vegana é rica em fibra e hidratos de carbono complexos e pobre em gorduras e açúcares rápidos, contribuindo não só para a prevenção da diabetes tipo II, como também da obesidade. Durante o processo de envelhecimento, ocorrem uma série de alterações fisiológicas importantes:

Mudanças hormonais

Após a menopausa, as mulheres sofrem uma diminuição da actividade hormonal que compromete a absorção de cálcio, aumentando, assim, a incidência de osteoporose. Devido a estas alterações hormonais, a mulher idosa deve ter em atenção a quantidade e o tipo de alimentos que ingere. O consumo de leite é responsável não só pela descalcificação óssea (devido ao consumo de proteína animal) como também por graves intolerâncias e alergias; por isso, devem ser procuradas outras fontes de cálcio, tais como os vegetais verde-escuros, o tofu, as nozes e as castanhas, o leite de soja, e outros produtos frequentemente encontrados em dietas veganas.

Diminuição da resistência imunológica

A frequente desnutrição contribui em grande parte para um organismo debilitado e mais propício ao desenvolvimento de infecções. As principais deficiências nutricionais responsáveis pelas alterações imunológicas em idosos são as carências de vitamina B6, A, C e E. Uma alimentação vegana cujo consumo energético diário seja adequado ao gasto energético e inclua cereais integrais, soja, legumes verdes, frutas frescas, frutos oleoginosos e sementes, oferece uma boa dose das vitaminas B6, A, C e E, evitando, assim, a diminuição da eficácia do sistema imunitário.

Alterações do tracto gastrointestinal

Durante o envelhecimento, ocorre uma diminuição da elasticidade e dos movimentos de contracção da mucosa intestinal. Também a mobilidade intestinal é reduzida, levando a inflamações bacterianas na mucosa digestiva. Devido ao evidente comprometimento da digestão daqui decorrente, nutrientes como a vitamina B12, B1 e Ferro apresentam uma absorção reduzida. A alimentação vegana fornece uma boa quantidade de fibras, o que ajuda a regularizar o trânsito intestinal, evitando episódios de obstipação. A inclusão de maiores quantidades de cereais integrais, frutos secos e oleoginosos, legumes verdes e produtos enriquecidos com vitamina B12 e Ferro ajudam o idoso a manter um bom estado de saúde.

Alterações cardiovasculares

Os vasos sanguíneos perdem elasticidade, contribuindo significativamente para a hipertensão arterial e consequentemente para o aumento do risco de complicações cardiovasculares. Uma alimentação pobre em gorduras, colesterol e sal, como é a dieta vegana, contribui para a prevenção destas e de valores elevados de tensão arterial. A alimentação vegana inclui vários alimentos enriquecidos que contribuem para uma dieta saudável e equilibrada. Idosos veganos (tal como idosos com uma dieta omnívora) devem também ter em consideração que, devido a todas as alterações relativas ao processo de envelhecimento, existem outros cuidados com a alimentação diária que devem ser tidos em elevada consideração, devendo, assim, fazer refeições:

- pouco abundantes e repartidas ao longo do dia;
- com consistência adequada à capacidade de mastigação do idoso;
- de fácil digestão, evitando a utilização de condimentos fortes e gorduras em excesso;
- ausentes em proteína animal devido ao aumento de doenças relacionadas com o seu consumo;
- ricas em vitaminas, minerais e fibras, com base em alimentos como legumes, hortaliças, frutas e cereais em geral.

Como vê, nunca é tarde para adoptar uma dieta saudável e livre de crueldade!