Galinhas

 

 

Galinhas felizes: Como são e do que precisam

Como são descendentes das galinhas selvagens do Sudeste Asiático, os habitats naturais das galinhas domésticas seriam áreas florestais que lhes ofereceriam cobertura e áreas para debicarem e explorarem o solo à noite. As galinhas vivem em pequenos grupos hierárquicos onde a comunicação é essencial. Pensa-se que as galinhas da selva e as galinhas domésticas têm mais de trinta sons que usam para compor e transmitir mensagens, mas também comunicam visualmente e através da postura. As crias das galinhas são conhecidas por “pintos”, quando são bebés, e “frangos”, quando são jovens (com apenas algumas semanas). Este é o nome mais utilizado pela indústria pecuária para se referir à carne de galinha. É utilizado indiferenciadamente para machos e fêmeas (os galos são os machos adultos das galinhas).

 

As galinhas são animais curiosos sobre os quais se tem estudado e descoberto muito nos últimos tempos. Até há pouco tempo consideradas “estúpidas”, sabe-se, agora, que as galinhas são, afinal, animais muito inteligentes. Entendem conceitos intelectuais sofisticados, aprendem através da observação, são capazes de demonstrar auto-controlo, preocupam-se com o futuro, e os seus conhecimentos evoluem de geração para geração. Compreendem relações de causa-efeito e têm a noção de que os objectos continuam a existir, mesmo que estejam longe da sua vista. Estes pormenores revelados por estudos recentes e que continuam a desenvolver-se colocam as capacidades cognitivas das galinhas acima das de uma criança humana muito jovem. As galinhas, assim como as vacas, as ovelhas e os porcos, são capazes de distinguir indivíduos humanos e são capazes de aprender com os membros da sua espécie. Quem passa muito tempo com galinhas que vivam num ambiente natural, sabe que cada galinha tem uma personalidade diferente da outra, o que normalmente dita o seu lugar na hierarquia – algumas são mais medrosas, outras mais tímidas e observadoras; algumas gostam da companhia dos humanos, outras são um pouco mais agressivas. Tal como os cães, os gatos ou os humanos, cada galinha é um indivíduo diferente com uma personalidade diferente.

 

As galinhas são também animais extremamente sociáveis, que gostam de passar os dias umas com as outras, em busca de comida, a limparem-se com banhos de terra – o que gostam de fazer para limpar as suas penas, usando a terra como uma espécie de “champô seco” –, a cacarejarem em cima das árvores e a apanharem sol, tendo também uma intensa actividade nocturna, sempre que se sentem num ambiente seguro e natural para poderem exprimir este comportamento. O comportamento de exploração do solo é extremamente importante para estes animais. Se tiverem oportunidade para o fazer, as galinhas passam até 90% do seu tempo a explorar o solo e a debicar. Uma galinha pode percorrer uma longa distância para cuidadosamente escolher um espaço adequado e seguro para fazer ninho. Põem vários ovos no mesmo ninho e depois incubam-nos (chocam-nos). Os pintainhos começam a comunicar com a galinha e com os outros pintos através de sons que emitem mesmo antes dos ovos eclodirem.

 

Galinhas infelizes: Como a indústria agro-pecuária intensiva as trata


Quando são criadas para serem transformadas em carne
Os “frangos de carne” são os frangos que foram seleccionados geneticamente para serem transformados em carne. São mantidos em armazéns tão sobrelotados, que se torna quase impossível para estes animais simplesmente moverem-se no espaço onde estão ou simplesmente descansarem. Além disso, o solo está tão cheio de terra húmida devido à elevada concentração de fezes e urina, e existe tanta amónia no ar, que as aves ficam com infecções e queimaduras graves na pele, além e problemas respiratórios. A poluição do ar e do espaço afecta drasticamente a saúde e o bem-estar destes animais.

 

A criação destas aves através da selecção genética para levar a que esta se tornasse uma espécie de crescimento acelerado (um “frango de carne” alcança a idade de abate ao chegar às seis semanas, enquanto ainda é bebé) resulta em fraqueza grave e em problemas cardíacos graves que se abatem vulgarmente sobre estes animais, muitos deles ficando deformados, com ossos fracturados e até morrendo de problemas respiratórios ou falhas cardíacas. Na verdade, porém, seria difícil para uma destas aves sobreviver e conseguir tornar-se adulta devido aos problemas que afectam as suas pernas, o seu coração e pulmões.

 

O transporte destes animais para matadouros é muito violento. É comum aqueles que ainda não estavam feridos ficarem severamente feridos ao serem atirados para as caixas de transporte dos camiões. Durante a viagem, devido às condições climatéricas, muitos animais morrem de calor, frio ou simplesmente devido ao stress da viagem, e muitos outros ficam com as pernas e/ou as asas fracturadas, o que lhes provoca um sofrimento imenso. Na linha de abate, dependurados pelas patas de cabeça para baixo (o que é altamente angustiante para estes animais), as suas cabeças são mergulhadas em água electrificada, mas este atordoamento é muitas vezes ineficaz, tornando-se ainda mais doloroso para os animais, muitos ficando conscientes e assim continuando quando são são mortos por corte da jugular (degolação), seguido da imersão em água a escaldar para remoção das penas – estando os animais por vezes ainda conscientes quando são escaldados.

 


Quando são criadas para produção de ovos
As “galinhas poedeiras” são as galinhas seleccionadas geneticamente para produzirem ovos. Mantidas permanentemente em gaiolas de bateria, estão privadas de expressarem praticamente todos os seus comportamentos naturais. O termo “gaiolas de bateria” deve-se ao facto de gaiolas com galinhas estarem empilhadas, aos milhares, em cima e ao lado umas das outras, em aviários enormes com muitos de milhares de galinhas. Muitas galinhas tendem a debicar nas penas de outras galinhas, o que é imensamente doloroso para estas e levando muitas vezes mesmo à morte destas. Este é um comportamento nunca visto na natureza e é resultado das condições em que são mantidas na criação intensiva. Para impedirem o debicar das penas de outras galinhas, os agricultores cortam os bicos a estas aves (sempre sem administração de anestesia ou analgésico), o que é, obviamente, extremamente doloroso para estas. Uma galinha numa gaiola fica com os ossos tremendamente fracos, que chegam a quebrar-se, e tem menos espaço de solo do que o espaço ocupado por uma folha de papel tamanho A4, sem terem sequer espaço para estenderem uma das suas asas. Os biliões de galinhas criadas em unidades de criação pecuária nunca puderam nem poderão experienciar um só momento do que seria uma vida natural. Coisas simples mas fundamentais para elas são-lhes completamente vedadas quando exploradas com fins alimentares. Não lhes é permitido conhecer os seus próprios pais, banharem-se com areia e terra, sentirem o sol nas suas penas ou construirem os seus ninhos. Todos os tipos de manipulação imagináveis são usados para levarem as galinhas a porem mais ovos. Quando os seus frágeis corpos estão já exaustos e incapazes de produzir mais ovos, estas aves são abatidas do mesmo modo que os frangos são mortos, habitualmente para depois se tornarem em caldos de galinha ou ração para cães e gatos. Uma vez que os pintos machos, filhos das galinhas poedeiras, são incapazes de pôr ovos e não são criados de modo significativo para que sejam vendidos pela indústria da carne, são mortos – muitas vezes, são enterrados vivos em grandes grupos, ou são atirados (também vivos) para dentro de sacos até que sufoquem.